quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Isso nunca termina

O disco Reflektor do Arcade Fire é considerado um dos melhores de 2013, pela crítica internacional. Está na lista do Guardian. Está na da Rolling Stone. Só para citar algumas.

Arcade Fire lançou um dos melhores discos de 2013: Reflektor


Comprei o CD em dezembro. Demorei para adquirir porque primeiro eu precisava saber se iria curtir o som. Então, fiquei ouvindo no Deezer. Reflektor foi a música que me pegou de cara. Depois que comprei o CD - que é duplo -, passei a escutar bastante Porno e It's Never Over (Oh Orpheus), que estão no segundo disco. São ótimas canções.

Reflektor, eu já comentei isso em casa, poderia ser música para abrir o show deles no Lollapalooza Brasil 2014, em abril. Imaginei aquele som de batida eletrônica invadindo o ar, aquecendo o público. Depois, se fosse da banda, partiria para músicas mais agitadas. Mera sugestão.

O Arcade Fire será uma atração bastante interessante para mim. Eles estiveram no Brasil uma vez (esqueci quando) e eu iria ver o show deles. Dias antes da apresentação, fui convidada para uma press junket. Iria ver em primeira mão o quarto filme da franquia Harry Potter e teria acesso ao elenco principal. Ora, um convite desses eu jamais recusaria. Ainda mais sendo em Londres. Deixei para trás o Arcade Fire e também os Strokes (outra atração do tal festival), com a sensação de que um dia eu os veria.

Os Strokes eu vi num Planeta Terra, num dia bastante tumultuado e, graças a uns imbecis, eu mal pude curtir a apresentação como pretendia. Tem gente que não deveria nunca ir para show - melhor que fiquem em casa vendo pela TV (não são fãs; querem só a boca livre). Mas tudo bem. Considerei-me feliz em ter visto os Strokes, mesmo que eles já não estivessem no auge (o que soa um tanto estranho).

O Arcade Fire, por sua vez, verei somente em 2014. Já comprei meus ingressos para o Lolla e estarei em Interlagos para vê-los. Naquele tempo do primeiro show, acho que eles só tinham um álbum. Desta vez, será legal conferir que canções vão escolher para o público brasileiro. Tenho desejo de ouvir Wake Up, uma música que associo com mãos erguidas para o céu no entardecer. Isso por causa do filme Onde Vivem Os Monstros. Tenho a sensação de que pouca gente a curte de verdade. Sempre que menciono Wake Up não recebo de volta nenhum sinal de entusiasmo. Já que é assim, ela é minha. E talvez do David Bowie, que cantou o som junto com os canadenses em um festival de Nova York, em 2005.

Pois estes dias fui ao cinema com gente da minha família. E vimos A Vida Secreta de Walter Mitty. De repente toca Wake Up. Na hora, passei a informação adiante. E me retornaram: sim, conheciam a música. Aquele momento me tocou de verdade.

Escolhi para tocar aqui It's Never Over. Às vezes penso que há coisas que não terminam, mesmo quando a gente deseja tanto que acabem. Fica aquilo, dentro de você por dias e dias, por mais que seu cérebro te force e diga: "já foi. Esqueça".

Mas não é disso que se trata a música. A letra faz referência ao mito de Orfeu e Eurídice. Orfeu era um músico. Foi o único humano capaz de sensibilizar Hades, o deus grego do submundo, que permitiu que a mulher do talentoso artista (que havia morrido picada por uma serpente) voltasse do inferno, local para onde iam os mortos (esqueça a imagem cristã do inferno). O poderoso senhor das sombras cede ao pedido do músico pela beleza das notas que toca.

Orfeu, então, toca sua lira e Eurídice o segue, saindo do submundo. Mas Hades tinha advertido Orfeu: em nenhum momento da longa jornada pelas trevas ele poderia olhar para trás. O músico faz o caminho inteiro tocando e sem virar o rosto. Quando ele transpõe a parte final, e antes que Eurídice fizesse o mesmo, Orfeu cede à tentação e olha para o rosto de sua mulher. Eurídice estava lá, bonita como ele lembrava, mas num segundo, ela foi arrastada de volta para o submundo, aos gritos, sugada pela quebra do encanto. A trilha, afinal, não tinha terminado para ela.

Enfim, não sei concluir sobre essa música (e até li algumas coisas no site Song Meaning). Aprenda a esperar pelo momento certo? Contenha sua ansiedade? A verdade é que o caminho ainda não acabou? Façam seus palpites.

De todo modo, espere até que termine, Orfeu! Don't turn around so soon.


Orfeu conduz sua amada Eurídice. Hades o adverte: não olhe para trás até que o longo caminho do submundo termine


It's Never Over (Oh Orpheus)


Hey, Orpheus!
I'm behind you
Don't turn around
I can find you

Just wait until it's over
Wait until it's through
And if I call for you
Oh, Orpheus!
Just sing for me all night
We'll wait until it's over
Wait until it's through

You say it's not me, it's you

Hey, Orpheus!
De l'autre côté de l'eau
Comme un écho
Just wait until it's over
Wait until it's through

And if I shout for you
Never doubt
Don't turn around too soon
Just wait until it's over
Wait until it's through

It seems so important now
But you will get over
It seems so important now
But you will get over
And when you get over
When you get older
Then you will remember
Why it was so important then

Seems like a big deal now
But you will get over
Seems like a big deal now
But you will get over
When you get over
And when you get older
Then you will discover
That it's never over

Hey, Eurydice!
Can you see me?
I will sing your name
Till you're sick of me
Just wait until it's over
Just wait until it's through

But if you call for me
This frozen sea
It melts beneath me
Just wait until it's over
Wait until it's through

Seems like a big deal now
But you will get over
Seems like a big deal now
But you will get over
And when you get over
And when you get older
Then you will remember

He told you he'd wake you up
When it was over
He told you he'd wake you up
When it was over
Now that it's over
Now that you're older
Then you will discover
That it's never over

It's never over (it's never over) [8x]

Sometime (Sometime)
Sometime (Sometime)
Boy, they're gonna eat you alive (eat you alive)
But it's never gonna happen now
We'll figure it out somehow

Sometime (Sometime)
Sometime (Sometime)
Boy, they're gonna eat you alive (eat you alive)
But it's never gonna happen now
We'll figure it out somehow

Cause it's never over
It's never over (it's never over) [6x]

We stood beside
A frozen sea
I saw you out
In front of me
Reflected light
A hollow moon
Oh Orphes, Eurydice
Its over too soon



De lambuja vai mais um vídeo, o de David Bowie cantando Wake Up com o Arcade Fire.


domingo, 22 de setembro de 2013

Qual seria sua vida perfeita?

Eu ia escrever um post sobre o Stereophonics. Porque comprei um CD em Londres com uma pequena coletânea de canções que estão entre as minhas favoritas. Mas estava indecisa entre uma ou outra música. Sem me decidir, o Moby veio até mim e mudou minha direção.

Moby me representa! Aqui ele toca no iTunes Festival de 2011, em Londres. Adoraria ter visto. Todas as fotos deste post foram tiradas do perfil do artista no Facebook 


Claro, o Moby não veio na minha direção. Não bateu na minha porta e nem disse "oi" (embora isso fosse lindo, caso se tornasse realidade). Já devo ter escrito isso em algum lugar (talvez aqui também), mas vale reforçar. Meu amor pelo Moby foi à primeira vista. Estava no carro ouvindo uma rádio FM. Mais exatamente a Jovem Pan II e lá, de repente, tocou "Porcelain". Disseram que era uma música que estava no CD da revista Jovem Pan edição X. Não pensei duas vezes. Na primeira oportunidade que tive, comprei a revista e o CD. Ainda bem que eu estava ligada no rádio na hora. Naquele tempo não havia nem sombra de Shazan. Então, para descobrir as músicas era um sacrifício. O destino quis que eu conhecesse logo o Moby (e eu passei a apresentá-lo para amigos).

Comprei o tal CD da rádio. Amei a canção. Provável que houvesse outras músicas interessantes naquela compilação. Mas quer saber? Nem lembro. Só ficou na minha memória "Porcelain".

Dali para comprar o álbum "Play" foi um pulo. Isso era 1999. Ou 2000? Não me recordo se demorou para o som chegar ao Brasil. Tem muito tempo já essa história do carro.

Depois disso, Moby passou a falar por mim. Várias canções dele têm a "minha cara". São meu estilo (o single de "Why Does My Heart Feel So Bad" foi lançado no dia do meu aniversário. Coincidência, talvez não muito boa, mas não precisamos interpretar tudo ao pé da letra, certo). Se eu fosse música, quem sabe seria mais ou menos como ele: bebendo em várias fontes. Ele já teve band punk (eu teria na boa. Aliás, tem mais sobre a vida dele aqui: Wikipedia). Toca violão clássico e guitarra (eu adoraria). Toca piano e toda essa parafernália eletrônica de teclados (vou repetir que adoraria). Vai até de bongô e instrumentos assim. Deve encarar uma bateria também. De novo, lá vou eu babando. Queria fazer tudo isso. E manjar tudo de eletrônica, de sintetizadores, de computers. Sim, óbvio que eu também assumiria uma bateria como Dave Grohl e arrebentaria na guitarra como ele. Ou bancaria o Tom Morello, do Rage Against The Machine. Também cantaria e dançaria como Thom Yorke. Claro, claro. Não deixo de lado nenhum desses caras que eu amo (já compor letras como Morrissey, aí não dá. Só Morrissey pode ser Morrissey. Assim como diante de Bowie eu ficaria quietinha, imagine. Audácia tem limites).

Multinstrumentista, Moby faz de tudo no palco. Canta, toca, dança, brinca e interage com o público, fazendo comentários que poucos fariam, do tipo "perdoem-me. Eu sou apenas um americano ignorante". Frases assim me mostram que ele é um cara legal (momento "puxação de saco")


Voltando ao Moby... Eu dizia que queria escrever sobre o Stereophonics, que, eu reconheço, é uma banda que está em panteão inferior ao dos grandes grupos que admiro (mas ainda assim eu curto demais o som deles). Daí que fico lendo as coisas do Moby e... "Caramba! Tenho de falar de você, Moby. Não consigo resistir" (desculpaí, Kelly Jones. O Stereophonics fica para depois).

Está para sair mais um álbum dele, "Innocents", no dia 30 de setembro. Setembro é o mês do Moby. Ele nasceu no dia 11. Fez 48 anos. Cara, isso o aproxima ainda mais de mim. São só cinco anos de diferença. Muito do que ele viu (em termos globais) eu vi também. Devemos ter admirado os mesmos sons da década de 80. Já falei 200 mil vezes entre amigas: "ah, eu casava com ele". Mesmo sendo vegetariano (nada contra os vegans, só que eu não consigo abrir mão de carne; ele é que talvez tivesse problemas comigo. Pensando bem, ele teria muitos problemas comigo. Teria de me amar muito para continuar comigo... *risos*).

Ele mora em NY, perto da casa que David Bowie tem na cidade. Espero nunca encontrá-lo na rua. Acho que desmontava. Seria a pessoa mais sem-graça e ridícula da Terra. Muda e incapaz de ter ideias inteligentes ou atitudes bacanas


Deus, já tergiversei demais. Então, vamos resolver isto logo: está para sair o novo álbum do Moby - e eu vou comprar, sem dúvida! Algumas músicas ele já botou na roda (que maneira de falar). Estão no Soundcloud, no YouTube... Basta pesquisar. Ele divulga bastante. Vou aqui de "The Perfect Life". O vídeo é tão astral... O Moby está de mariachi. Muito legal.

A letra está mais abaixo.

O cara usando a camiseta do Cramps. Ah, vá: ele não é qualquer um


E eu fiquei pensando o que seria "The Perfect Life". Certamente "acordar ao seu lado" faz parte (I only want to be here when you're by my side/  Oh I believe now, I'll love you 'til I die).Permitam-me um lado romântico. Outra parte seria ter tempo. Tempo para desfrutar de tanta coisa. Minha cabeça está cheia de ideias. E eu queria colocar algumas delas em prática. Sem deixar de lado as pessoas especiais da minha vida. Porque não adianta nada ter tempo para fazer o que se gosta se a gente não tem tempo de dividir isso com essas pessoas. E dividir não quer dizer apenas desfrutar o produto pronto. Dividir, nesse caso, quer dizer discutir a ideia, melhorá-la, colocá-la em ação junto e depois agradecer de forma pública. Isso seria perfeito para mim. Deve ter mais coisa. Mas vou ficar por aqui.

Pronto para o vídeo da música. De mariachi ;)


Moby - The Perfect Life

Oh 
We close our eyes 
The perfect life 
Is all we need 

You open up when you had me in your hands 
Slipping far away with the world at your command 
You sing me to sleep and then you hit me awake 
It's a perfect life, a perfect life 

I only want to be here when you're by my side 
Oh I believe now, I'll love you 'til I die 
You will sing me to sleep, you will hit me awake 
In the perfect life, the perfect life 

Oh 
We close our eyes 
The perfect life, life 
Is all we need 

Little Mike he, steps everywhere 
Knives in his pockets and bullets in his hair 
He has nothing to live for, nothing left to say 
He's locking all the doors to keep the older wolves at bay 

Spoons and foil are all he needs. 
A bed and some china 
A lighter and some speed 
It will sing you to sleep, it will hit you awake 
In the perfect life, a perfect life. 

(Guitar solo) 

Oh 
We close our eyes 
The perfect life, life 
Is all we need 

Oh 
It goes all night 
The perfect life, life 
Is all we need 

Oh 
We close our eyes 
The perfect life, life 
Is all we need 

Oh 
We close our mind 
The perfect life, life 
Is all we need 

The perfect life, the perfect life, the perfect life 

All we need  

E aí? Qual é a sua "perfect life"?


Official video (no canal do Moby no YouTube)


sábado, 3 de agosto de 2013

"E não há nada que você possa fazer a respeito"

The Middle East, banda australiana, que está tocando direto no meu MP3 com a canção "Blood"

Mais uma descoberta pelo Blip.fm (eu já disse que gosto do site, né). Quer dizer, talvez essa descoberta não seja espetacular. Vai que é apenas uma música e a banda não evolua muito além disso. Eu não sei. Na música, definir qual será o próximo hit está mais fácil. Tem muita coisa rodando pelo mundo. E até pega com a ajuda da web. O duro é saber o que se mantém.

The Middle East, indie direto da Austrália. Uma boa mistura de estilos
Mas, já que a perenidade é discutível, que esta seja agora minha banda queridinha (o "agora" basta). Ou melhor, que este seja o som que ressoa na minha mente, no meu pulmão.  Porque música ecoa também no meu pulmão, principalmente enquanto estou correndo. Estou falando de "Blood". É até engraçado colocar o título da canção nesse contexto porque é sangue que transita pelo corpo. E é ele que acelera nas corridas.

Tenho poucas informações sobre o The Middle East, que, de acordo com o Blip, eu curti em junho do ano passado (dei RB ao som escolhido por MrsStonebreaker, uma das minhas DJs favoritas). Busquei detalhes no Wikipedia mesmo: banda formada na cidade de Townsville (isso é nome de cidade?), em Queensland. Sim, Austrália. Vez em quando, curto um som de lá. Ao que parece, o grupo recebeu impulso dos blogueiros e, assim, se tornou conhecida. Interessante.

Tocou em diversos festivais, como o Splendour in The Grass (nome fantástico! E, se você entende de cinema e viu filmes clássicos, espero ter associado a uma certa película com Warren Beatty e Nathalie Wood). Em um desses eventos, abriu para o Grizzly Bear, grupo que também conheci ao acaso. Os dois têm uma pegada indie folk. Pelo visto, gosto do estilo.

Cabeludos, largados, despreocupados...

O nome? Surgiu porque um dos integrantes da banda tinha visto um documentário sobre Yasser Arafat. Mas não foi mais do que isso. O que mais soube? Que "Blood" fez parte da trilha sonora de dois filmes.

A letra de "Blood"? Bem, no site Song Meanings, que vira e mexe eu consulto, há vários palpites a respeito dessa canção. Tem gente que fala que é uma análise do que é uma família: irmã, pai, separações, avô sozinho, mãe que morre de câncer. Tem quem defenda que é uma analogia a respeito da evolução individual: o sujeito um dia está brincando com a irmã, escutando o som de um trem chegando só por botar o ouvido no chão... depois ele casa... e se divorcia... e se isola... e só espera o tempo de morrer. Um pouco triste pra pensar que isso poderia acontecer comigo, com você, com todo mundo, como uma herança genética. Seria tudo uma questão de sangue, então? Um tanto sem esperança porque, afinal, não há nada que se possa fazer a respeito naquele minuto, como diz a letra.

Será mesmo? Não há nada a fazer?

Ainda não elucubrei em cima da canção. Eu a acho bonita. Tem uma melodia solitária, sim. Tipo daquelas que você ouve olhando para a paisagem isolada, em um canto que não tem ninguém mais do que você - ou outras pessoas que nem fazem diferença no final das contas. Ops, ruim de escrever isso aí. Só que é real. Tem vezes que você está realmente na multidão e se sentindo só. O que não é necessariamente um desastre. A gente tem de aprender a respeitar um pouco mais nossa necessidade de solidão, sem achar que isso quer dizer que seja um negócio triste. Ih, fiz filosofia barata...


Enfim, espero que apreciem o som. Não peço muito viagem de ideias. Só de sensações.





Blood - The Middle East


Older brother, restless soul, lie down
Lie for a while with your ear against the earth
And you'll hear your sister sleep talking
Say "Your hair is long but not long enough to reach
Home to me
But your beard
Someday might be"

And she'll wake up in a cold sweat on the floor
Next to a family portrait drawn when you were four
And beside a jar of two cent coins that are no good no more
She'll lay it aside

Older father, weary soul, you'll drive
Back to the home you made on the mountainside
With that ugly, terrible thing
Those papers for divorce
And a lonely ring
A lonely ring
Sit on your porch
And pluck your strings

And you'll find somebody you can blame
And you'll follow the creek that runs out into the sea
And you'll find the peace of the Lord.

Grandfather, gentle soul, you'll fly
Over your life once more before you die
Since our grandma passed away
You've waited for forever and a day
Just to die
And someday soon
You will die

It was the only woman you ever loved
That got burnt by the sun too often when she was young
And the cancer spread and it ran into her body and her blood
And there's nothing you can do about it now

domingo, 21 de julho de 2013

"Eu gosto tanto de você que até prefiro esconder"

Esta música, "Apenas mais uma de amor", eu escolho não por gostar de alguém e querer esconder esse sentimento. Escolhi pela parte em que o autor assume: "pode até parecer fraqueza... pois que seja fraqueza, então".

Tem a ver comigo neste momento. Hoje não consigo ser forte como deveria. Ou até fui (por um tempo). Mas chega um ponto em que é melhor logo admitir essa fragilidade.

Cheguei a ele, a esse ponto. Estou assim: fraca. Nada mais posso fazer para assegurar o contrário. Mas tudo bem: "eu vou sobreviver".

Por isso, resolvi colocar aqui esta canção do Lulu Santos. Insisto. Para mim ela está ecoando menos pelo fato de "gostar tanto de você" (eu gosto). E sim por essa honestidade quanto à fraqueza.

Quer dizer... a canção não se trata exatamente de franqueza. A letra refere-se a manter um sentimento escondido. Medo de mágoas, desapontamentos? "Se amanhã não for nada disso, caberá só a mim esquecer". Falta de coragem por julgar que não será correspondido? O que quer dizer isso?

Eu não sei. No entanto, neste minuto a música está fazendo bem para mim.

Obrigada, Lulu.


Gosto tanto que prefiro esconder...



Apenas Mais Uma de Amor - Lulu Santos


Eu gosto tanto de você
Que até prefiro esconder
Deixo assim ficar
Subentendido

Como uma idéia que existe na cabeça
E não tem a menor obrigação de acontecer

Eu acho tão bonito isso
De ser abstrato, baby
A beleza é mesmo tão fugaz

É uma idéia que existe na cabeça
E não tem a menor pretensão de acontecer

Pode até parecer fraqueza
Pois que seja fraqueza então,
A alegria que me dá
Isso vai sem eu dizer

Se amanhã não for nada disso
Caberá só a mim esquecer
O que eu ganho, o que eu perco
Ninguém precisa saber

Eu gosto tanto de você
Que até prefiro esconder
Deixo assim ficar
Subentendido

Como uma idéia que existe na cabeça
E não tem a menor pretensão de convencer

Pode até parecer fraqueza
Pois que seja fraqueza então,
A alegria que me dá
Isso vai sem eu dizer

Se amanhã não for nada disso
Caberá só a mim esquecer
E eu vou sobreviver
O que eu ganho, o que eu perco
Ninguém precisa saber

Lulu Santos - Acústico MTV (YouTube)

domingo, 7 de abril de 2013

Talvez ano que vem

Eu não conhecia a banda, até ouvir da filha adolescente que ela era boa. Daí, curiosa, fui atrás do Two Door Cinema Club. Isso foi ano passado e eu mal sabia do line-up do Lollapalooza (onde eles tocaram no fim de março, dias atrás). Como ela conheceu o som, não sei. Mas poderei carregar para sempre esta história que acabei de escrever - se minha memória não me abandonar jamais. Quem me apresentou a banda foi ela. Pronto, invertemos os papéis. Em vez de ensinar, aprendi. Aliás, estou sempre aprendendo com ela e com meu filho. Vale ressaltar isso.

Two Door Cinema Club no segundo dia do LollaBR 2013. Público cantou tudo com a banda

 Acho legal poder falar isso. Tenho orgulho da minha base musical. Pode soar bestinha para os outros (não descarto a possibilidade que seja mesmo). O fato é que não gostaria de ver meus filhos curtindo sons para os quais faço caretas. Em casa tudo é muito democrático, porém, sei lá... tem tanta coisa ruim tocando por aí... Então, fico realmente satisfeita de ver que não preciso fazer caretas! Meninos de bom gosto (rs). E a situação fica ainda  melhor quando são eles que introduzem a novidade. Isto é viver uma constante troca de informações.

Two Door Cinema Club, uma banda da Irlanda Norte, pode fazer um som básico (nada de ousadias ou distorções ao estilo Radiohead - epa, não é pra comparar; só pra servir de referência de algo que ousa) e não ter letras contundentes (Morrissey só existe um; a natureza não permite muitos luxos nesta vida). Mas eles entregam boa música, pra curtir e cantar junto. Eu já achava isso antes do show por ter escutado algumas canções pelos canais de streaming e ter colocado entre os favoritos. Talvez o grupo beire mais o pop. E seja mais cara de bons meninos. Ah, paciência. Tem gente que não gosta do Keane, achando que eles são muito bem-comportados e que não tem grandes arroubos (sobre essa parte eu não concordo; acho que é mais desconhecimento e falta de interesse pelo repertório). Ora, bom comportamento não pode descredenciar uma banda. Se a música cativa, palmas para os caras. Eu sei, as pessoas tendem a desejar uma pose mais marginal, mais atirada entre os músicos de rock. Cabem mais estilos, acredito.

Essa pose mais marginal eu vi no leading man do Black Keys (belo show também). Muito. Deu vontade de procurar por ele (Dan) e chamar para um bar, para conversar e saber mais de tudo, deles, da estrada. "Vem cá... quantos instrumentos você toca? E quem te inspira? Ah, não?! Sério mesmo?! Então me explica..." (imaginando o papo). 

Mas os caras do Two Door me pareceram bem legais também. Mais gente como a gente, se é que posso falar assim (até dei uma risadinha aqui). A verdade é que vi as duas bandas no Lolla. E digo que curti muito os shows. Não vou entrar nos detalhes do Black Keys porque o post é sobre o Two Door.

O vocalista Alex Trimble no telão (ele toca guitarra e piano tb). O grupo tem dois álbuns

Fiquei espantada com o bom número de gente que estava lá, em frente ao palco Cidade Jardim, p/ ver a apresentação dos irlandeses. Tinha um ótimo público para o horário e para as condições (sol forte na cabeça). E eles arrebentaram. Tocaram muito bem. E as pessoas cantaram quase todas - ou todas - as músicas. Isso me impressionou. A banda é nova e já tem uma legião de fãs. Eu conheço algumas canções, mas a única que eu decorei mais ou menos é "Next Year" (a outra que eu quase decorei é "What You Know").

A banda é nova, mas isso não a impediu de conquistar o público. Pessoal cantou, dançou, gritou, fez bonito. E os irlandeses adoraram essa mais do que bela recepção

Ouvindo "Next Year" eu achei que tinha coisa a ver comigo. Sim, sim. Querendo, a gente sempre encontra algo que tenha a ver nas letras de músicas. Pois eu achei um pedacinho de mim. Do passado. Antes do Lolla, eu já tinha postado no FB que se alguém me pegasse cantando "Next Year" como se estivesse esquecida de tudo, que deixasse pra lá. Foi um pouco isso. Desliguei-me de tudo que não fosse o festival naquele momento, que não fosse aquele palco e aquelas pessoas em torno, todas cantando a letra, como se ela estivesse escrita em português.

Maybe someday you'll be somewhere
Talking to me as if you knew me



Foi beeeem legal. Ponto para o Lolla.





Next Year



I don't know where I am going to rest my head tonight
So I won't promise that I'll speak to you today
But if I ever find
Another place
A better time
For that moment I was never what I am

Take to me to where you are
What you've become
And what you will do when I am gone
I won't forget, I won't forget

Maybe someday you'll be somewhere
Talking to me as if you knew me
Saying I'll be home for next year, darling
I'll be home for next year

In between the lines is the only place you'll find
What you're missing but you didn't know was there
So when I say goodbye you must do your best to try
And forgive me this weakness
This weakness

'Cause I don't know what to say
Another day
Another excuse to be sent your way
Another day, another year

Maybe someday you'll be somewhere
Talking to me as if you knew me
Saying I'll be home for next year, darling
I'll be home for next year
And maybe sometime in a long time
You'll remember what I had said there
I said I'll be home for next year, darling
I'll be home for next year

If
You
Think of me
I will think of you

Maybe someday you'll be somewhere
Talking to me as if you knew me
Saying I'll be home for next year, darling
I'll be home for next year
Maybe sometime in a long time
You'll remember what I had said there
I said, I'll be home for next year

Maybe someday you'll be somewhere
Talking to me as if you knew me
Saying I'll be home for next year, darling
I'll be home for next year



domingo, 24 de fevereiro de 2013

Uma voz que te faz perguntar: homem ou mulher?

Sou fã do Blip.fm. Por causa dele descobri músicas interessantes, me aprofundei a respeito de algumas bandas e revivi velhas paixões. Uma das descobertas destaco aqui: Asaf Avidan. O nome em si já surpreende. Que nome é esse? Verdade que eu não tinha me ligado nisso porque ouvia o Blip escrevendo algo e não prestava atenção a nomenclaturas. Então, não me prendi ao nome, mas à voz.

Crédito da foto: Dudi Hasson


De repente, comecei a escutar "Different Pulses" (claro, eu não sabia a música). O ritmo e o timbre me pegaram de cara. Pensei: que voz tem essa mulher. Imediatamente parei o que estava fazendo e fui olhar o nome da cantora: Asaf Avidan. Lembrei de Ofra Haza. Devia ser árabe, do Oriente Médio, algo assim.

Errei.

Asaf nasceu em Jerusalém em 23 de março de 1980. Está para completar 33 anos. Asaf é um homem magro e de cabelos raspados nas têmporas. Estiloso e roqueiro. Não podia ter me surpreendido mais. Um homem! Depois, ouvindo outras canções, achei que só podia ser um homem mesmo. Mas é que a voz dele é muito diferente. Não conseguiria descrever. Tem de ouvir mesmo.



Gostei do estilo. Gostei da história. Asaf é filho de diplomatas. Quando criança, morou na Jamaica. Depois de cumprido o serviço militar obrigatório, ele resolveu se dedicar à animação. Criou um curta que foi premiado e estava enveredando nessa carreira quando um namoro de longo tempo terminou e ele, para curar a depressão do fim do romance, decidiu largar o emprego e partir para seu hobby: a música. Fez um EP com seis músicas falando do coração partido. O álbum se chama "Now that you're leaving". A crítica recebeu bem o trabalho.



Daí ele montou um grupo (The Mojos) e saiu tocando por aí. Fez sucesso relativo no circuito independente. E depois ganhou a Europa e os Estados Unidos. Em 2011, depois de um tour em que teve a oportunidade de tocar com Robert Plant e Lou Reed, Asaf e o Mojo optaram por fazer um break. Ele seguiu carreira solo.

No ano passado, lançou "Different Pulses". E no ano passado, num dia em que escrevia ouvindo o Blip ao fundo, eu cheguei até ele.



Acho Asaf Avidan bem interessante - ele já se apresentou até num TED. Adoraria ver um de seus shows. Aliás, o tour pela Europa neste primeiro semestre está quase todo esgotado.

Agora, a letra e o vídeo de "Differente Pulses". Espero que curtam.






DIFFERENT PULSES

My life is like a wound I scratch so I can bleed
Regurgitate my words, I write so I can feed
And death grows like a tree that's planted in my chest
Its roots are at my feet, I walk so it won't rest

Oh, baby, I am lost...

I try to push the colors through a prism back to white
To sync our different pulses into a blinding light
And if love is not the key. If love is not a key.
I hope that I can find a place where it could be

I know that in your heart there is an answer to a question
Which I'm not as yet aware that I have asked
And if that tree had not drunk my tears
I would have bled and cried for all the years
That I alone have let them pass

Oh, baby, I am yours...




sábado, 19 de janeiro de 2013

Onde nós estamos, David Bowie?

Não sei quando me deparei com David Bowie pela primeira vez. Não lembro. São tantas coisas na minha evolução musical que não consigo saber exatamente quando um cantor como ele chegou para mim. Suspeito que o tenha visto como Ziggy Stardust e não tenha entendido nada. Eu lia sobre música, mas conhecia tão pouco... A revista Bizz me ensinava o mundo e eu apenas engatinhava na história. Por isso, acredito que tenha passado por ele, em algum momento do meu passado, sem suspeitar o que Bowie seria para mim.

David Bowie em foto de seu perfil no Facebook

Do que lembro do passado, da adolescência, posso falar de "Labirinto", em que ele faz um papel de mágico, bruxo, feiticeiro. Que é o que ele é um pouco para mim. Também lembro dele em "Furyo", filme que adoro. Engraçado falar dele pelo cinema. Mas creio que minha paixão por ele começou assim. Pelos personagens. Pelo seu olhar, seus movimentos. Aquela figura tão diferente.

Aos poucos, eu o descobri musicalmente. Sinto que ainda o descubro. Queria entender mais. Mas para entender mais teria de me sentar diante dele e perguntar. E seriam tantas perguntas que um dia não daria. Nem uma semana. Aliás, adoraria que nunca acabasse. Acharia o máximo que ele não me respondesse tudo. Bastaria olhar e sorrir. Bastaria olhar com esses olhos tão fora da minha realidade. Eles dizem algo diferente toda vez que vejo um de seus retratos. Bowie tem algo extraordinário em seu jeito, em sua maneira de falar, cantar, de mirar.

Uma vez disse que tenho dois ídolos na música. Eles me hipnotizam. E mexem com minha mente como nenhum outro. São Bowie e Morrissey. Claro que gosto muito de outros tantos artistas - e Moby vai um pouco nessa linha -, mas esses dois... Não teria como explicar. E se alguém entender essa minha devoção sem perguntar muito, então, esse alguém poderá dizer que me conhece (porque já compreende algo de mim que não sei traduzir plenamente).

Sonho: ver um show do David Bowie


Bem, há uma questão que até hoje não tive como resolver. Já vi três shows do Morrissey. É um privilégio poder contar isso. Eu não vi nenhum do Bowie. E isso me dá a sensação de que tenho uma falha na minha história musical. Muitas vezes deixei de ver gente que gosto por não ter dinheiro. Pagar shows é uma condição que veio depois. Perdi muita coisa. E perdi a chance de ver David Bowie em São Paulo. Não tinha dinheiro. Agora que tenho como pagar... ele não vem. Pior, ele estava muito tempo sem aparecer. Falaram até que devia estar bem doente e que não deveria haver mais nenhum show. Nunca mais. Triste.

Mas veio o novo. David Bowie ressurgiu. Fez 66 anos e lançou um single. Demorei uns dias para ouvir a música nova. E o medo? E se eu não curtisse? Deixo o ídolo intocado? Não quis ler também. Covarde. Sou covarde. Não li nada em português. O Guardian me salvou (mais uma vez). Uma chamada do jornal atraiu-me e isso me obrigou a ler. Comecei. Parei. Não podia avançar. Tinha de ouvir a música.

E ouvi.

Ele está com 66 anos. E ainda me encanta

Morrissey tem a habilidade de falar por mim em vários momentos. Sem me conhecer, ele traduz alguns de meus pensamentos, ideias, conceitos. Incrível esse rapaz. Em "Where are we now", David Bowie fez o mesmo comigo - e ele ainda coloca Berlim na música (cidade que amei e que me fez revelações). Bem, como explicar? É complexo. Por vezes também me sinto perdida no tempo. Onde estou é difícil que alguém me acompanhe. Acho que a gente entra nessas em certos períodos da vida. Andando entre pessoas que estão alheias a você. Andando em um mundo que não parece ser mais seu. Mais ou menos como os anjos em Berlim daquele filme (você sabe qual). Aí, você se divide entre estar deslocado da vida e perceber que, mesmo assim, ainda sente o pulso. Ainda existe algo dentro de você esperando... you know, you know. As long as there's sun. As long as there's rain. As long as there's me. As long as there's you.

Não direi mais.




Where are we now

Had to get the train
From Potzdamer platz
You never knew that
That I could do that
Just walking the dead

Sitting in the Dschungel
On Nurnberger strasse
A man lost in time near KaDeWe
Just walking the dead

Where are we now?
Where are we now?
The moment you know
You know, you know

Twenty thousand people
Gross Bose Brucke
Fingers are crossed
Just in case
Walking the dead

Where are we now?
Where are we now?
The moment you know
You know, you know
As long as there's sun
As long as there's sun
As long as there's rain
As long as there's rain
As long as there's fire
As long as there's fire
As long as there's me
As long as there's you







Do perfil do David Bowie no Facebook

WHERE ARE WE NOW? SOME FILM FACTS

"Coco's dog's a poacher and she hides behind trees..."

Director Tony Oursler's enigmatic promotional film for David Bowie's 'Where Are We Now?' has got folk wondering exactly what it all means.

Well, in the same way that we here at DBFBHQ can't answer what David Lynch's 'Eraserhead' is all about, we are nevertheless happy to enjoy the bizarre visual feast that the 'Where Are We Now?' promo presents.

Of course, it's not the first time Oursler has supplied a little weirdness to a Bowie video...one of our very favourites is 'Little Wonder' where his trademark projections lend a surreal air to proceedings.

Anyway, even though we cant explain everything you see in the 'Where Are We Now?' promo, we do have some facts for you that you may not have worked out otherwise.

~ The most common misconception, or widely held theory, is that the woman accompanying David is the wonderfully nutty Icelandic singer, Björk! It's not, it is in fact Oursler's wife, painter Jacqueline Humphries.

~ The room in the film which is jam packed with all kinds of weird and wonderful objects is actually the interior of Oursler's downtown New York studio.

~ The dog seen wandering into view in the studio is Muffin, who belongs to Coco, David's assistant and long time friend.

~ Muffin is also sister to Max, Lexi Jones's dog.

~ The video was shot over two mornings.

Well, it's a start!