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| Morrissey no show que fez este ano no Espaço das Américas. |
Sou suspeita demais quando se trata de Morrissey. Não lembro quando começou essa devoção. Mas desde os primeiros momentos em que ouvi Smiths percebi que aquilo tinha a ver comigo. Tem gente que ama Roberto Carlos. Tem quem idolatre Eddie Vedder. Eu amo Morrissey, acima de todo artista vivo (mas David Bowie também está no panteão).
Não se preocupem. Não é que a vida seja uma melancolia tremenda e eu me veja reclamando aos céus por ter me feito assim, amando tanto sem poder ("Do you hate me, do you hate me?", canta o bardo em mais uma de suas letras).
Morrissey não cabe num post curto. Não cabe. Pelo menos é dessa maneira que vou me desculpar por não escrever tanto sobre ele. Basta dizer que vi todos os shows que Moz fez aqui. E veria mais. E pagaria tudo de novo. E sentiria a garganta, os olhos, o corpo dizendo "você fala por mim". Nas partes tristes. Nas partes "engraçadas" (sim, ele tem esse lado).
Escolhi uma música para colocar agora. "There's a light that never goes out". É uma música de amor. Mas ao estilo Morrissey, claro. Até é possível rir do inusitado de tudo. Imagine você dizer para a pessoa amada que "seria encantador morrer ao seu lado". Morrissey consegue ser "romântico" imaginando um caminhão de dez toneladas atropelando o casal. Ou um double-decker bus (totalmente brit isso).
Anyway, quem nunca pensou em disparar um desabafo na linha "me leve embora, por favor"? A canção se refere a isso. A esse desespero que acomete uns e outros, vez por outra na vida, quando parece que não há muitas saídas ("Take me anywhere, I don't care. I don't care. I don't care"). Ok, tudo bem. Isso nunca te aconteceu. Mas isso existe.
Essa música é uma das minhas favoritas dos Smiths. O Morrissey cantou esse som em algumas de suas apresentações solo. Eu me emocionei já. E teve uma vez em que, de repente, eu e um amigo começamos a cantar essa letra na rua, na avenida Europa, saindo de um almoço e voltando a pé para o trabalho. A gente não combinou nem nada. De repente, começamos a cantar. E aí descemos a rua repetindo juntos a letra.
There's a light that never goes out
(Stephen Morrissey e Johnny Marr)Take me out tonight
Where there's music and there's people
And they're young and alive
Driving in your car
I never never want to go home
Because I haven't got one
Anymore
Take me out tonight
Because I want to see people and I
Want to see life
Driving in your car
Oh, please don't drop me home
Because it's not my home, it's their
Home, and I'm welcome no more
And if a double-decker bus
Crashes into us
To die by your side
Is such a heavenly way to die
And if a ten-ton truck
Kills the both of us
To die by your side
Well, the pleasure - the privilege is mine
Take me out tonight
Take me anywhere, I don't care
I don't care, I don't care
And in the darkened underpass
I thought Oh God, my chance has come at last
(But then a strange fear gripped me and I
Just couldn't ask)
(Este vídeo mostra uma parte da turnê Who Put The M on Manchester. Recomendo muito.)



