segunda-feira, 5 de novembro de 2012

A melhor música para morrer "by your side"

Morrissey no show que fez este ano no Espaço das Américas.

Sou suspeita demais quando se trata de Morrissey. Não lembro quando começou essa devoção. Mas desde os primeiros momentos em que ouvi Smiths percebi que aquilo tinha a ver comigo. Tem gente que ama Roberto Carlos. Tem quem idolatre Eddie Vedder. Eu amo Morrissey, acima de todo artista vivo (mas David Bowie também está no panteão).

Não se preocupem. Não é que a vida seja uma melancolia tremenda e eu me veja reclamando aos céus por ter me feito assim, amando tanto sem poder ("Do you hate me, do you hate me?", canta o bardo em mais uma de suas letras).

Morrissey não cabe num post curto. Não cabe. Pelo menos é dessa maneira que vou me desculpar por não escrever tanto sobre ele. Basta dizer que vi todos os shows que Moz fez aqui. E veria mais. E pagaria tudo de novo. E sentiria a garganta, os olhos, o corpo dizendo "você fala por mim". Nas partes tristes. Nas partes  "engraçadas" (sim, ele tem esse lado).

Escolhi uma música para colocar agora. "There's a light that never goes out". É uma música de amor. Mas ao estilo Morrissey, claro. Até é possível rir do inusitado de tudo. Imagine você dizer para a pessoa amada que "seria encantador morrer ao seu lado". Morrissey consegue ser "romântico" imaginando um caminhão de dez toneladas atropelando o casal. Ou um double-decker bus (totalmente brit isso).

Anyway, quem nunca pensou em disparar um desabafo na linha "me leve embora, por favor"? A canção se refere a isso. A esse desespero que acomete uns e outros, vez por outra na vida, quando parece que não há muitas saídas ("Take me anywhere, I don't care. I don't care. I don't care"). Ok, tudo bem. Isso nunca te aconteceu. Mas isso existe.

Essa música é uma das minhas favoritas dos Smiths. O Morrissey cantou esse som em algumas de suas apresentações solo. Eu me emocionei já. E teve uma vez em que, de repente, eu e um amigo começamos a cantar essa letra na rua, na avenida Europa, saindo de um almoço e voltando a pé para o trabalho. A gente não combinou nem nada. De repente, começamos a cantar. E aí descemos a rua repetindo juntos a letra.

There's a light that never goes out 

(Stephen Morrissey e Johnny Marr)

Take me out tonight
Where there's music and there's people
And they're young and alive
Driving in your car
I never never want to go home
Because I haven't got one
Anymore

Take me out tonight
Because I want to see people and I
Want to see life
Driving in your car
Oh, please don't drop me home
Because it's not my home, it's their
Home, and I'm welcome no more

And if a double-decker bus
Crashes into us
To die by your side
Is such a heavenly way to die
And if a ten-ton truck
Kills the both of us
To die by your side
Well, the pleasure - the privilege is mine

Take me out tonight
Take me anywhere, I don't care
I don't care, I don't care
And in the darkened underpass
I thought Oh God, my chance has come at last
(But then a strange fear gripped me and I
Just couldn't ask)


(Este vídeo mostra uma parte da turnê Who Put The M on Manchester. Recomendo muito.)

domingo, 21 de outubro de 2012

Sem explicação

A música que resolvi colocar aqui é dos anos 80. Posso falar sobre os anos 80 com propriedade porque eu os vivi quando era adolescente e depois universitária. Em 1980 eu estava na quinta série, para vocês terem ideia. Quando o Duran Duran explodiu eu era uma piralha - mas sem espinhas na cara porque nunca fui de ter espinhas.

Mas não vou falar de Duran Duran agora. Queria salientar apenas que os sons dos anos 80, os bons sons, eu conheço bem. Minhas referências são meus irmãos, os amigos dos meus irmãos, as revistas (Bizz), as rádios (Fluminense, 89), um pouco dos jornais. E meus amigos - alguns tinham condições de viajar e trazer coisas bem interessantes.

The Church, que é a banda que citarei aqui, eu nem lembro direito como me veio. Pode ter sido por intermédio do meu irmão mais velho, que tinha uns amigos com gostos que casavam com os meus. Tinha esta música, No explanation, em uma fita. Ouvi muito. Curti muito. Toda vez que eu pensava em alguém que para mim não tinha explicação... aí vinha esta canção.

Este é o The Church. Tentei achar o álbum que me fez conhecer a banda, mas não atinei com a imagem. Não me veio à memória direito; tenho a impressão de que se encontrar, saberei. Se alguém tem essa resposta, me avise. Crédito: http://thechurchband.net/


Curioso é que a banda ainda existe. Vão tocar nos Estados Unidos em novembro. Depois voltam para se apresentar na casa deles. Os caras são da Austrália. A banda surgiu no início da década de 80. Foram classificados de new wave. Depois de neo psychedelic. Não importa mais (em alguns momentos da minha vida esses rótulos me deixaram perdidinha). A música que eu destaco estourou em 1985 num álbum chamado Remote Luxury. Talvez não fosse um álbum, talvez fosse um EP. Não sei.

Esta é a cara da banda hoje. O The Church ainda está na estrada. Crédito: http://thechurchband.net/

De todo modo, como essa música me faz bem - é muito gostosa de ouvir -, resolvi brindar este espaço com "No Explanation". Não tem maiores motivos, exceto esse. Ela me faz bem. O som começa com uma música sem letra que logo se encerra e cria um "vazio", que rapidamente é ocupado pela canção em si.





No Explanation - The Church

You pull the sheets around you throat
Talking like the harpy again
I've got this heartache in my coat
Since I don't remember when
It's guaranteed to live and to bleed
And you feed it with your bitterest lies
Hope you can see what that's done to me
But I don't care to look into your eyes
There's no explanation
Dreamtongued man from the golden land
Standing with the keys to your door
I had to laugh as I shook his hand
Didn't know he'd been here before
I know him well but I never can tell
If he sees right through my futile disguise
Hope you can see what that's done to me
But I don't care to look into your eyes
There's no explanation
Walking alone down the path to your home
On a silent and sensual day
It almost could be my very own
Before I went and lost my way
Directions aren't clear when you're standing here
And you cheer me with your faithless surprise
Hope you can see what that's done to me
But I don't care to look into your eyes
There's no explanation

sábado, 6 de outubro de 2012

Boca da juventude

Eu tinha (tenho) uma turma de amigos que se encontrava de tempos em tempos com um violão e todo mundo ficava cantando, brincando. Eram as noites de violada. Adorava. Se há um tempo que eu gostaria de voltar e reviver é esse. Não dói, não me criaria dano pensando no que seria o retorno aos dias atuais. Seria como movimentar-me num retrato, numa fotografia bem afixada na memória. Revisito, revejo, canto mais uma vez e retomo a vida presente. Sem lamentos, nem pesares. Só o bem-estar.

E naqueles tempos, bem jovens, com 20 e poucos anos, a gente cantava muito Boca Livre. Hoje ouvi Boca Livre na TV, num show que deve ter mais de um ano e que só agora conheci. Numa hora tocou "Desenredo". E eu amei porque lembrei das minhas férias em Minas. Lembrei do dia em que coloquei essa música para tocar, lá no hotel do Niemeyer, em Ouro Preto. Revivi.

Vista da varanda do Grande Hotel


Desenredo (Dorival Caymmi e Paulo César Pinheiro)


Por toda terra que passo

Me espanta tudo o que vejo

A morte tece seu fio

De vida feita ao avesso


O olhar que prende anda solto

O olhar que solta anda preso

Mas quando eu chego

Eu me enredo

Nas tranças do teu desejo


O mundo todo marcado

A ferro, fogo e desprezo

A vida é o fio do tempo

A morte é o fim do novelo


O olhar que assusta

Anda morto

O olhar que avisa

Anda aceso


Mas quando eu chego

Eu me perco

Nas tramas do teu segredo


Ê, Minas

Ê, Minas

É hora de partir

Eu vou

Vou-me embora pra bem longe


A cera da vela queimando

O homem fazendo o seu preço

A morte que a vida anda armando

A vida que a morte anda tendo


O olhar mais fraco anda afoito

O olhar mais forte, indefeso

Mas quando eu chego

Eu me enrosco

Nas cordas do teu cabelo


Ê, Minas

Ê, Minas

É hora de partir

Eu vou

Vou-me embora pra bem longe




quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Hoje é o dia

The The é a banda de um homem só: Matt Johnson. Podem falar que tocou com um ou outro, que fulano fez o sintetizador ou que fez a parte da guitarra... Mas as letras do álbum Soul Mining, onde está minha canção favorita do The The, são de Matt Johnson. Minha canção preferida é "This is the day", que já cantei muito. E que continuo cantando sempre que toca.

Resolvi colocar aqui "This is the day" porque um amigo colocou uma versão gravada por uma banda carioca, The Pelvs, que ficou bem legal. Na verdade, ficou com um jeito surf music. Um outro colega comentou comigo que essa música era muito apreciada pelos surfistas na época. Eu sinceramente não tinha nem ideia disso. Mas, de todo modo, a canção é uma marca que me remete logo às boas coisas dos anos 80. Detalhe: tem muita coisa legal dessa década. Gostaria que as baladas oitentistas que são populares não se focassem tanto no pop e pobrinho que virou mania na noite (com todo o respeito, mas Balão Mágico não dá). Tanta música bacana e fica esse desperdício de referências... Ô, pessoal, vamos elevar o nível (...). Pronto, passou o momento "speaker's corner".

Peguei a letra do site Song Meanings, que é muito interessante e recomendo.

Vejam aqui a música original.





Well... you didn't wake up this morning,
'cause you didn't go to bed.
You were watching the whites of your eyes turn red.
The calendar on your wall is ticking the days off.

You've been reading some old letters.
You smile and think how much you've changed.
All the money in the world couldn't buy back those days.

You pull back the curtains, and the sun burns into your eyes.
You watch a plane flying across a clear blue sky.
This is the day your life will surely change.
This is the day when things fall into place.

You could've done anything, if you'd wanted.
And all your friends and family think that you're lucky.
But the side of you they'll never see
Is when you're left alone with the memories
That hold your life together like glue

You pull back the curtains, and the sun burns into your eyes,
You watch a plane flying across a clear blue sky.
This is the day your life will surely change.
This is the day when things fall into place.

This is the day your life will surely change...
(repeat to fade)
Read more at http://www.songmeanings.net/songs/view/12618/#urqge4vZDpRQ8HT1.99

 E aqui dá para ouvir a versão gostosa que a banda The Pelvs fez de "This is the day".

 8 - This Is The Day - Pelvs

domingo, 16 de setembro de 2012

Música pra curtir a fossa

Cada um tem uma canção que leva às lágrimas ou que faz te lembrar a vez em que estava no fundo do poço.  Existem, aliás, várias opções - suspeito de alguém que só tenha uma música para essas ocasiões. Como se cada história fosse igual!

Dentre as tantas que poderia citar, vou de Everything But The Girl. A banda tem uma coleção de alternativas para aquele momento "coração partido".

Então, vamos de "Cross My Heart". Apenas porque, no random, foi ela que tocou. Reparem na letra: "mas é claro. Não é educado perguntar onde você passou a noite". E "pode ser polido o jeito que a gente nunca se escreve". P/ ouvir sem dor. Ou com. Você é quem sabe...


Aqui um vídeo com a canção que escolhi e mais "Little Hitler", do mesmo álbum ("Baby, the stars shine bright"). Tentei pegar uma versão de boa qualidade, só com "Cross My Heart", mas não rolou. Ok. Fica de lambuja


Cross My Heart

Now and then
Do you wash your hands of me again
Wish me anywhere but home
Drunk and on the end of your phone

From time to time
Do you guess what's really on my mind
Guess that "How you're keeping now"
Means "Where are you sleeping now"

But of course it's not polite
To ask you where you spent last night
And if I did, you might reply that I have no right
And anyway I'm fine
Glad that you're no longer mine
If I should tell a lie
I'll cross my heart and I hope to die

You'd be appalled
If you knew what I was doing when you called
Yes, I can see I'm blundering
And I always end up wondering

Will it ever be alright
To ask you where you spent last night
And can it be polite
The way we never write
'Cause I don't have the time
And anyway I'm fine
If I should tell a lie
I'll cross my heart and I hope to die

Oh, I know it's not polite
To ask you where you spent last night
And if I did, you might reply that I have no right
And anyway I'm fine that you're no longer mine
If I should tell a lie
I'll cross my heart and I hope to die

I hope we'll never die
I hope we'll never die
I hope we'll never die

Cross my heart
Cross my heart
Cross my heart
Cross my heart
Cross my heart
Cross my heart
Cross my heart
Cross my heart.....


Comentário final: eu queria cantar que nem a Tracey Thorn...

Alta fidelidade

Adoro o filme. Queria ler o livro do Nick Hornby. Mas para começar esta minha lista (lista?), vou começar com Social Distortion. Não tem nenhum motivo em particular. Só que é o que está tocando agora no meu perfil no YouTube. Eu sou muito musical. Minha vida segue assim, entre canções.



Untitled


I'm heading down a lonely highway
I'm running down a oneway street
All I wanna know are you going my way?
Is there some place quiet where we can meet?
And friends they come, and friends they go
But you were always by my side
And where it all ends, I don't know
Don't cry no more just hold on tight
There was a time when I was desperate
Living in a town without a name
And when things got so dark and desolate
You taught me how to hide my shame
And kings and queens and millionaires
May never know what I have known
And thank the stars I'm the lucky one
Thanx for the lessons that I have been shown

Chorus:

I feel rich, I feel power, and security
And when I'm weak, you are strong
Once in a lifetime, twice in eternity, and guess what?
Nothing else matters anyways