domingo, 21 de outubro de 2012

Sem explicação

A música que resolvi colocar aqui é dos anos 80. Posso falar sobre os anos 80 com propriedade porque eu os vivi quando era adolescente e depois universitária. Em 1980 eu estava na quinta série, para vocês terem ideia. Quando o Duran Duran explodiu eu era uma piralha - mas sem espinhas na cara porque nunca fui de ter espinhas.

Mas não vou falar de Duran Duran agora. Queria salientar apenas que os sons dos anos 80, os bons sons, eu conheço bem. Minhas referências são meus irmãos, os amigos dos meus irmãos, as revistas (Bizz), as rádios (Fluminense, 89), um pouco dos jornais. E meus amigos - alguns tinham condições de viajar e trazer coisas bem interessantes.

The Church, que é a banda que citarei aqui, eu nem lembro direito como me veio. Pode ter sido por intermédio do meu irmão mais velho, que tinha uns amigos com gostos que casavam com os meus. Tinha esta música, No explanation, em uma fita. Ouvi muito. Curti muito. Toda vez que eu pensava em alguém que para mim não tinha explicação... aí vinha esta canção.

Este é o The Church. Tentei achar o álbum que me fez conhecer a banda, mas não atinei com a imagem. Não me veio à memória direito; tenho a impressão de que se encontrar, saberei. Se alguém tem essa resposta, me avise. Crédito: http://thechurchband.net/


Curioso é que a banda ainda existe. Vão tocar nos Estados Unidos em novembro. Depois voltam para se apresentar na casa deles. Os caras são da Austrália. A banda surgiu no início da década de 80. Foram classificados de new wave. Depois de neo psychedelic. Não importa mais (em alguns momentos da minha vida esses rótulos me deixaram perdidinha). A música que eu destaco estourou em 1985 num álbum chamado Remote Luxury. Talvez não fosse um álbum, talvez fosse um EP. Não sei.

Esta é a cara da banda hoje. O The Church ainda está na estrada. Crédito: http://thechurchband.net/

De todo modo, como essa música me faz bem - é muito gostosa de ouvir -, resolvi brindar este espaço com "No Explanation". Não tem maiores motivos, exceto esse. Ela me faz bem. O som começa com uma música sem letra que logo se encerra e cria um "vazio", que rapidamente é ocupado pela canção em si.





No Explanation - The Church

You pull the sheets around you throat
Talking like the harpy again
I've got this heartache in my coat
Since I don't remember when
It's guaranteed to live and to bleed
And you feed it with your bitterest lies
Hope you can see what that's done to me
But I don't care to look into your eyes
There's no explanation
Dreamtongued man from the golden land
Standing with the keys to your door
I had to laugh as I shook his hand
Didn't know he'd been here before
I know him well but I never can tell
If he sees right through my futile disguise
Hope you can see what that's done to me
But I don't care to look into your eyes
There's no explanation
Walking alone down the path to your home
On a silent and sensual day
It almost could be my very own
Before I went and lost my way
Directions aren't clear when you're standing here
And you cheer me with your faithless surprise
Hope you can see what that's done to me
But I don't care to look into your eyes
There's no explanation

sábado, 6 de outubro de 2012

Boca da juventude

Eu tinha (tenho) uma turma de amigos que se encontrava de tempos em tempos com um violão e todo mundo ficava cantando, brincando. Eram as noites de violada. Adorava. Se há um tempo que eu gostaria de voltar e reviver é esse. Não dói, não me criaria dano pensando no que seria o retorno aos dias atuais. Seria como movimentar-me num retrato, numa fotografia bem afixada na memória. Revisito, revejo, canto mais uma vez e retomo a vida presente. Sem lamentos, nem pesares. Só o bem-estar.

E naqueles tempos, bem jovens, com 20 e poucos anos, a gente cantava muito Boca Livre. Hoje ouvi Boca Livre na TV, num show que deve ter mais de um ano e que só agora conheci. Numa hora tocou "Desenredo". E eu amei porque lembrei das minhas férias em Minas. Lembrei do dia em que coloquei essa música para tocar, lá no hotel do Niemeyer, em Ouro Preto. Revivi.

Vista da varanda do Grande Hotel


Desenredo (Dorival Caymmi e Paulo César Pinheiro)


Por toda terra que passo

Me espanta tudo o que vejo

A morte tece seu fio

De vida feita ao avesso


O olhar que prende anda solto

O olhar que solta anda preso

Mas quando eu chego

Eu me enredo

Nas tranças do teu desejo


O mundo todo marcado

A ferro, fogo e desprezo

A vida é o fio do tempo

A morte é o fim do novelo


O olhar que assusta

Anda morto

O olhar que avisa

Anda aceso


Mas quando eu chego

Eu me perco

Nas tramas do teu segredo


Ê, Minas

Ê, Minas

É hora de partir

Eu vou

Vou-me embora pra bem longe


A cera da vela queimando

O homem fazendo o seu preço

A morte que a vida anda armando

A vida que a morte anda tendo


O olhar mais fraco anda afoito

O olhar mais forte, indefeso

Mas quando eu chego

Eu me enrosco

Nas cordas do teu cabelo


Ê, Minas

Ê, Minas

É hora de partir

Eu vou

Vou-me embora pra bem longe