segunda-feira, 28 de julho de 2014

In Spite of Me

Um filme me levou a esta música: In Spite of Me, do Morphine.

Vamos às explicações. Eu tinha recebido de presente de aniversário um CD dessa banda americana (que surgiu em Cambridge). Não lembro quando foi, mas o importante é contar que alguns dos meus amigos sabem como sou ligada em música e procuram me dar um CD, um disco ou algo relativo a música em novembro, mês do meu aniversário. Eles até temem repetições ("você já tem esse?" é uma pergunta comum). Nesse caso, eu não tinha nada do Morphine. Então, foi um belo presente. Curti o som e a voz do Mark Sandman, que também era o baixista da banda. O cara já não está mais entre nós. Eita. Quando ganhei o álbum, Sandman já havia morrido. Ao ouvir o tal CD, teve uma coisa meio mórbida. Puxa, uma voz que não existia mais, exceto por aquilo que está gravado. Mas era interessante independentemente disso. Curti o som, só que esqueci.

Morphine em ação. Sandman no baixo e no vocal

Um aspecto interessante da música do Morphine é a mistura entre rock e jazz. Tem algo meio down. Talvez essa não seja a palavra adequada. Morphine tem um quê de melancolia. Não sou boa para explicar essas coisas em termos mais técnicos. Como se classifica o estilo de algo assim? Se falar blues, a ideia é outra. De todo modo, outra coisa de que gostava é quando entrava um sax no som. Aliás, adorava. Caía muito bem.

Mas sobre essa canção em questão, a que cito logo de início... Bom, eu não a conhecia. "In Spite of Me" está num álbum chamado Cure For Pain, que é um ótimo título (música pode ser cura para diversas dores). O tal CD que ganhei não era esse. Por isso, essa canção não tinha chegado até mim.

Aí, um dia fui ao cinema com uma amiga ver um filme alemão. Era "Aprendendo a Mentir". Foi nele que ouvi "In Spite of Me" pela primeira vez.

BTW, cinema também é uma coisa que adoro. Verdade que eu e toda minha geração adoramos porque com meus amigos mais íntimos é assim: você pergunta de um filme e quase todos viram e sabem algo a respeito do diretor ou um detalhe a mais do filme ou um longa filmado antes pelo diretor ou outra produção que tem a ver, seja pelo roteiro, pelo contexto, pelo ator principal. Eu até me sinto meio atrasada com esses amigos. No entanto, não fico mal. Essas amizades são tão sinceras que, para mim, o que vem é sempre aprendizado. Nunca cobrança. E, além de tudo, esses amigos são divertidos. Não tem chatice quando discutimos cinema.


Cena do filme Aprendendo a mentir, com o personagem Helmut

Vamos ao filme. Não sei quantos viram "Aprendendo a Mentir" (Liegen Lernen). É uma produção de 2003 praticamente toda ambientada em Berlim. É a história de Helmut, um cara que, no colégio, se apaixona por uma colega. Tem um forte envolvimento com ela, mas a garota parte para os Estados Unidos e ele fica mal, mal, mal. Com o tempo, Helmut se envolve com outras mulheres. Conhece gente legal, mas tem o fantasma da antiga namorada perturbando as relações. De repente, ele começa a inventar várias histórias enquanto tenta se reencontrar. Salvo engano, a antiga namorada reaparece. Faço essa observação porque já faz tempo que vi o filme e não me recordo mais dos detalhes.

"In Spite of Me" está numa cena que achei bela. É uma pista de patinação no gelo. Helmut e um de seus amores se divertem, patinam, riam e acabam no chão. Tudo isso ao som do Morphine. Ficou tão bacana tudo que amei a cena. E fiquei com a música na cabeça. Logo tratei de arranjá-la para mim. Não lembro como fiz para tê-la (pedi para alguém? Baixei?). Sei que tenho essa canção em formato MP3. Não tenho o dito álbum.

Mais uma cena de Aprendendo a Mentir. Não sei se é fácil encontrar o filme por aí

Quando ganhei aquele do CD do Morphine, lá atrás, embora tenha curtido o som, eu não tinha me aprofundado a respeito da banda. Sandman morreu em 1999, na Itália, de um ataque cardíaco durante um show. Tinha 46 anos. Cure For Pain foi lançado seis anos antes. Era um álbum antigo, afinal. Não tinha ideia de nada desses detalhes que acabei de descrever. Fui conhecer mais a respeito da banda e de Sandman só por causa de "In Spite of Me". E por causa do filme, indiretamente.

Estes dias voltei a ouvir Morphine. Pelo Spotify. E fui imediatamente atrás da canção. Confesso que não lembro quais eram as minhas favoritas no comentado CD que recebi naquele tão distante aniversário. Estou tentando descobrir. Por enquanto, vou repetindo o som do filme.




In Spite Of Me

Last night I told a stranger all about you
They smiled patiently with disbelief
I always knew you would succeed
No matter what you tried
And I know you did it all
In spite of me
Still I'm proud to have known you
For the short time that I did
Glad to have been a step up on your way
Proud to be part of your illustrious career
And I know you did it all
In spite of me, in spite of me
Late last night I saw you in my living room
You seemed so close but yet so cold
For a long time I thought that
You'd be coming back to me
Those kind of thoughts can be so cruel
So cruel
And I know you did it all
In spite of me, in spite of me

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Um lugar que só a gente conhece

Faz um bom tempo cadastrei-me no site do Keane, banda inglesa que conheci de uma maneira diferente. Estava em Madri para acompanhar alguma conferência de saúde. Não lembro exatamente qual era a área porque naquela época eu acompanhava diversos congressos de medicina: neurologia, endocrinologia, cardiologia, reumatologia... Tempo muito bom, por sinal. Aprendi bastante.

Mas voltando... eu estava em Madri num hotel um tanto escuro para uma cidade tão luminosa como é a capital espanhola. Ficava perto do aeroporto e longe do centro. Nesse hotel havia um centro de convenções e lá acontecia o congresso. Então, permanecia naquele local por muitas horas. Para conhecer Madri, tinha de me deslocar em horários estranhos e ia sempre correndo para poder retornar de metrô ou ônibus sem problemas.

Show do Keane em São Paulo, em 2007. Fiz esta foto e acho que ela é muito linda
Bem, uma noite eu estava no quarto pensando no que fazer da vida já que minha programação estava apertada e não tinha ideia do que podia aproveitar com tempo tão curto. Liguei a TV em um canal que se chamava Euro qualquer coisa. Podia ser EuroMusic. Não importa. Rolavam uns sons legais, ainda mais porque eram coisas que não conhecia no Brasil. Sempre curti ser apresentada a novas músicas dessa maneira, pelo olhar de alguém de fora do meu país. Não tinha essa paciência para rádios americanas (sintonizadas sei lá de que maneira; meus rádios não eram tão bons assim). Mas a internet abria possibilidades incríveis. Atenção: essa história tem quase dez anos.

Naquela vez, a ferramenta de descoberta foi a TV. Vi um clipe com uma música que me pegou desde o início. Era "Somewhere only we know". A banda eu nunca tinha ouvido falar. Foi assim que conheci o Keane. Num programa de TV de um canal fechado em um quarto de hotel distante numa Madri avançando a noite. Sei que ouvi e desejei ouvir de novo. Mas meu tempo era curto e não daria para passar em lojas de CDs (até hoje compro CDs).

O vocalista do Keane é o Tom Chaplin

De volta ao Brasil, busquei na web. Encontrei algumas coisas. Depois, fui conhecendo melhor pelo Last.FM (adorava os primeiros anos desse site). Em 10 de maio de 2004, o Keane tinha lançado seu primeiro álbum, "Hopes and Fears". E "Somewhere only we know" é uma das faixas desse disco. A primeira música a ser trabalhada.

Eu dizia do site do Keane. Pois foi ele que me lembrou, via e-mail, que "Hopes and Fears" fazia dez anos. Caramba...

"Somewhere only we know" me diz muito. Tem a ver com ideias, com sensações. Ouvi por um bom tempo. Comprei o álbum. Comprei o segundo. Fui ao show. Cantei a letra, pedaço por pedaço. Sabia de cor. Hoje, tenho dúvidas se sei cantar inteira. Mas certamente ela me acompanhará na memória, ainda que de forma esparsa, ainda que com esforço. Volta e meia desejo voltar aquele lugar que só nós conhecemos.

(Todo mundo deve ter um...)

Somewhere only we know
I walked across an empty land
I knew the pathway like the back of my hand
I felt the earth beneath my feet
Sat by the river and it made me complete

Oh! Simple thing where have you gone
I'm getting old and I need something to rely on
So tell me when you're gonna let me in
I'm getting tired and I need somewhere to begin

I came across a fallen tree
I felt the branches of it looking at me
Is this the place, we used to love
Is this the place that I've been dreaming of

Oh! Simple thing where have you gone
I'm getting old and I need something to rely on
So tell me when you're gonna let me in
I'm getting tired and I need somewhere to begin

And If you have a minute why don't we go
Talking about that somewhere only we know?
This could be the end of everything
So why don't we go
Somewhere only we know?
(Somewhere only we know)

Oh! Simple thing where have you gone
I'm getting old and I need something to rely on
So tell me when you gonna let me in
I'm getting tired and I need somewhere to begin

And If you have a minute why don't we go
Talking about that somewhere only we know?
This could be the end of everything
So why don't we go
So why don't we go

This could be the end of everything
So why don't we go
Somewhere only we know?
Somewhere only we know?
Somewhere only we know?


Foi uma dessas apresentações que curti muito, mesmo tendo ido sozinha (embora lá tenha encontrado um amigo)
Vídeos!



Este não é o primeiro vídeo feito para a canção. O clipe que vi em Madri (de 2004) tinha uma floresta. Busquei o vídeo, mas não encontrei. Então, fica esta versão, de 2009


Este é um vídeo que fiz no show de São Paulo. Estava originalmente no Google Video.


E outra canção: Your eyes open, que também registrei no show de São Paulo