sábado, 19 de janeiro de 2013

Onde nós estamos, David Bowie?

Não sei quando me deparei com David Bowie pela primeira vez. Não lembro. São tantas coisas na minha evolução musical que não consigo saber exatamente quando um cantor como ele chegou para mim. Suspeito que o tenha visto como Ziggy Stardust e não tenha entendido nada. Eu lia sobre música, mas conhecia tão pouco... A revista Bizz me ensinava o mundo e eu apenas engatinhava na história. Por isso, acredito que tenha passado por ele, em algum momento do meu passado, sem suspeitar o que Bowie seria para mim.

David Bowie em foto de seu perfil no Facebook

Do que lembro do passado, da adolescência, posso falar de "Labirinto", em que ele faz um papel de mágico, bruxo, feiticeiro. Que é o que ele é um pouco para mim. Também lembro dele em "Furyo", filme que adoro. Engraçado falar dele pelo cinema. Mas creio que minha paixão por ele começou assim. Pelos personagens. Pelo seu olhar, seus movimentos. Aquela figura tão diferente.

Aos poucos, eu o descobri musicalmente. Sinto que ainda o descubro. Queria entender mais. Mas para entender mais teria de me sentar diante dele e perguntar. E seriam tantas perguntas que um dia não daria. Nem uma semana. Aliás, adoraria que nunca acabasse. Acharia o máximo que ele não me respondesse tudo. Bastaria olhar e sorrir. Bastaria olhar com esses olhos tão fora da minha realidade. Eles dizem algo diferente toda vez que vejo um de seus retratos. Bowie tem algo extraordinário em seu jeito, em sua maneira de falar, cantar, de mirar.

Uma vez disse que tenho dois ídolos na música. Eles me hipnotizam. E mexem com minha mente como nenhum outro. São Bowie e Morrissey. Claro que gosto muito de outros tantos artistas - e Moby vai um pouco nessa linha -, mas esses dois... Não teria como explicar. E se alguém entender essa minha devoção sem perguntar muito, então, esse alguém poderá dizer que me conhece (porque já compreende algo de mim que não sei traduzir plenamente).

Sonho: ver um show do David Bowie


Bem, há uma questão que até hoje não tive como resolver. Já vi três shows do Morrissey. É um privilégio poder contar isso. Eu não vi nenhum do Bowie. E isso me dá a sensação de que tenho uma falha na minha história musical. Muitas vezes deixei de ver gente que gosto por não ter dinheiro. Pagar shows é uma condição que veio depois. Perdi muita coisa. E perdi a chance de ver David Bowie em São Paulo. Não tinha dinheiro. Agora que tenho como pagar... ele não vem. Pior, ele estava muito tempo sem aparecer. Falaram até que devia estar bem doente e que não deveria haver mais nenhum show. Nunca mais. Triste.

Mas veio o novo. David Bowie ressurgiu. Fez 66 anos e lançou um single. Demorei uns dias para ouvir a música nova. E o medo? E se eu não curtisse? Deixo o ídolo intocado? Não quis ler também. Covarde. Sou covarde. Não li nada em português. O Guardian me salvou (mais uma vez). Uma chamada do jornal atraiu-me e isso me obrigou a ler. Comecei. Parei. Não podia avançar. Tinha de ouvir a música.

E ouvi.

Ele está com 66 anos. E ainda me encanta

Morrissey tem a habilidade de falar por mim em vários momentos. Sem me conhecer, ele traduz alguns de meus pensamentos, ideias, conceitos. Incrível esse rapaz. Em "Where are we now", David Bowie fez o mesmo comigo - e ele ainda coloca Berlim na música (cidade que amei e que me fez revelações). Bem, como explicar? É complexo. Por vezes também me sinto perdida no tempo. Onde estou é difícil que alguém me acompanhe. Acho que a gente entra nessas em certos períodos da vida. Andando entre pessoas que estão alheias a você. Andando em um mundo que não parece ser mais seu. Mais ou menos como os anjos em Berlim daquele filme (você sabe qual). Aí, você se divide entre estar deslocado da vida e perceber que, mesmo assim, ainda sente o pulso. Ainda existe algo dentro de você esperando... you know, you know. As long as there's sun. As long as there's rain. As long as there's me. As long as there's you.

Não direi mais.




Where are we now

Had to get the train
From Potzdamer platz
You never knew that
That I could do that
Just walking the dead

Sitting in the Dschungel
On Nurnberger strasse
A man lost in time near KaDeWe
Just walking the dead

Where are we now?
Where are we now?
The moment you know
You know, you know

Twenty thousand people
Gross Bose Brucke
Fingers are crossed
Just in case
Walking the dead

Where are we now?
Where are we now?
The moment you know
You know, you know
As long as there's sun
As long as there's sun
As long as there's rain
As long as there's rain
As long as there's fire
As long as there's fire
As long as there's me
As long as there's you







Do perfil do David Bowie no Facebook

WHERE ARE WE NOW? SOME FILM FACTS

"Coco's dog's a poacher and she hides behind trees..."

Director Tony Oursler's enigmatic promotional film for David Bowie's 'Where Are We Now?' has got folk wondering exactly what it all means.

Well, in the same way that we here at DBFBHQ can't answer what David Lynch's 'Eraserhead' is all about, we are nevertheless happy to enjoy the bizarre visual feast that the 'Where Are We Now?' promo presents.

Of course, it's not the first time Oursler has supplied a little weirdness to a Bowie video...one of our very favourites is 'Little Wonder' where his trademark projections lend a surreal air to proceedings.

Anyway, even though we cant explain everything you see in the 'Where Are We Now?' promo, we do have some facts for you that you may not have worked out otherwise.

~ The most common misconception, or widely held theory, is that the woman accompanying David is the wonderfully nutty Icelandic singer, Björk! It's not, it is in fact Oursler's wife, painter Jacqueline Humphries.

~ The room in the film which is jam packed with all kinds of weird and wonderful objects is actually the interior of Oursler's downtown New York studio.

~ The dog seen wandering into view in the studio is Muffin, who belongs to Coco, David's assistant and long time friend.

~ Muffin is also sister to Max, Lexi Jones's dog.

~ The video was shot over two mornings.

Well, it's a start!