Tenho uma relação boa com gente bem mais jovem do que eu. Não tenho como explicar as razões dessa facilidade. Quando percebo, estamos falando de coisas que curtimos como se fôssemos da mesma geração. Como se fôssemos iguais.
Não sei se algum momento a gente vira uma chave dentro de nós e deixa de prestar atenção no que rola em torno e passa a se concentrar no que passou. Comigo essa chave enguiçou, se é que ela existe. Pelo menos na música. Vejo o que passou, acompanho o que chega e farejo o que está por vir. O fluxo não para.
Deve ser porque gosto muito de música. "Todo mundo gosta de música", alguém dirá. Sim. Mas é diferente. Tem gente que respira muito esse negócio, apesar de não ser um profissional da área. É como beber água. Música eu tomo todo dia. Em jejum, acompanhando uma refeição, durante a corrida, antes de dormir. É assim.
Por isso, valorizo muito quando me conecto a alguém por causa de um som, de uma banda, de uma trilha. Funciona comigo. Mais ou menos como acontece com cinema. No entanto, acho mais fácil encontrar quem adore Fellini do que quem tenha visto o show do Stereophonics em São Paulo. Bem mais tranquilo conversar com um estranho sobre Woody Allen ou Quentin Tarantino do que discutir com esse mesmo estranho qual o disco mais legal do Echo & The Bunnymen ou se curtiu o The Weeknd com o Daft Punk ou se ouviu o álbum do Arcade Fire que acabou de ser lançado ("já tá no Spotify") ou se teve tempo de apreciar a nova canção do Chico Buarque ("também tá no Spotify").
Tudo isso pra dizer que outro dia estava conversando sobre o Two Door Cinema Club com a filhotinha (eu tenho uma filhotinha que vai a shows, ao cinema, que vive com fone ligado nos streamings de música). Quando a gente fala de música do passado, em geral tem o nome de alguém que apresentou o som. Normalmente, sons novos seriam apresentados aos pais pelos filhos. Em casa, isso não é uma lógica.
Este texto foi originalmente escrito em 05 de agosto de 2017. Deixei no rascunho. Creio que nem terminei de escrever.
Vou publicar assim mesmo pq preciso renovar meu acesso a este Blogger.
Que coisa estranha pegar algo assim, do passado.
