sábado, 6 de outubro de 2012

Boca da juventude

Eu tinha (tenho) uma turma de amigos que se encontrava de tempos em tempos com um violão e todo mundo ficava cantando, brincando. Eram as noites de violada. Adorava. Se há um tempo que eu gostaria de voltar e reviver é esse. Não dói, não me criaria dano pensando no que seria o retorno aos dias atuais. Seria como movimentar-me num retrato, numa fotografia bem afixada na memória. Revisito, revejo, canto mais uma vez e retomo a vida presente. Sem lamentos, nem pesares. Só o bem-estar.

E naqueles tempos, bem jovens, com 20 e poucos anos, a gente cantava muito Boca Livre. Hoje ouvi Boca Livre na TV, num show que deve ter mais de um ano e que só agora conheci. Numa hora tocou "Desenredo". E eu amei porque lembrei das minhas férias em Minas. Lembrei do dia em que coloquei essa música para tocar, lá no hotel do Niemeyer, em Ouro Preto. Revivi.

Vista da varanda do Grande Hotel


Desenredo (Dorival Caymmi e Paulo César Pinheiro)


Por toda terra que passo

Me espanta tudo o que vejo

A morte tece seu fio

De vida feita ao avesso


O olhar que prende anda solto

O olhar que solta anda preso

Mas quando eu chego

Eu me enredo

Nas tranças do teu desejo


O mundo todo marcado

A ferro, fogo e desprezo

A vida é o fio do tempo

A morte é o fim do novelo


O olhar que assusta

Anda morto

O olhar que avisa

Anda aceso


Mas quando eu chego

Eu me perco

Nas tramas do teu segredo


Ê, Minas

Ê, Minas

É hora de partir

Eu vou

Vou-me embora pra bem longe


A cera da vela queimando

O homem fazendo o seu preço

A morte que a vida anda armando

A vida que a morte anda tendo


O olhar mais fraco anda afoito

O olhar mais forte, indefeso

Mas quando eu chego

Eu me enrosco

Nas cordas do teu cabelo


Ê, Minas

Ê, Minas

É hora de partir

Eu vou

Vou-me embora pra bem longe




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