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| Crédito: Instituto Antonio Carlos Jobim |
Entre os 11 e os 12 anos, tive aulas de música com a irmã Maria José. Que tempos. Qual escola hoje teria na grade curricular aulas de música? Aprendi a identificar notas, gêneros musicais, história da música. Eu sabia o que eram as partituras e os valores das notas, dividia compassos, reconhecia instrumentos – mas essa parte eu sabia por causa do meu pai, que tinha um disco de música clássica que ensinava isso.
Nas aulas da irmã Maria José a gente também cantava, como coral. Ensaiávamos músicas. A irmã no piano e na regência. Muitas vezes, ela gravava os alunos. Ela escolhia as canções. Algumas vezes o resultado era bem bom. Lembro de termos cantado Águas de Março. Eu tinha adorado a música. Não a conhecia. Foi meu primeiro contato com Águas de Março na interpretação famosa de Tom e Elis. Confesso que não me recordo se eu já reconhecia o nome Tom Jobim naquela época. Porém foi a partir das aulas da irmã Maria José que eu compreendi quem era Antonio Brasileiro.
Levou um século para eu poder ter um disco do Tom Jobim. Não porque não me interessasse. Mas porque comprava outras coisas. E dinheiro era contado. Então, botei um monte de gente na frente do Tom. Não me arrependo, não. Fazia parte do meu desenvolvimento. Quando, enfim, comprei, escolhi Passarim, que considero um dos melhores álbuns que existem dentre todos os brasileiros já lançados (não sou crítica musical, mas me sinto à vontade para dar palpites).
É uma obra-prima. Ouvi tanto que sabia a ordem das canções. Hoje, minha memória já não evoca assim facilmente a lista das músicas. É preciso treiná-la de novo.
Antonio Brasileiro nasceu no dia 25 de janeiro. Faria 90 anos. Morreu em 8 de dezembro de 1994, em Nova York. Minha vida em 1994 era muito atribulada. Tinha um filho pequeno, meu primeiro. Estava em transição na carreira. Estava em transição comigo. Não acompanhei bem a morte do maestro. Não me recordo como foi a comoção - mas sei que abalou o Brasil. Eram tantas as coisas em que prestar atenção naquele tempo. De todo modo, em meio às minhas confusões todas, senti a morte dele. Passarim é de 1987. Durou bastante o álbum pra mim. Foi ecoando, ecoando, ecoando... Ainda ecoava naquele 1994.
Hoje já não o ouço como no passado. Acumulou poeira na correria da vida. Lástima. Mas neste dia vale muito a pena resgatá-lo. Agora via streaming!
Difícil escolher as músicas de Tom para entrar aqui. Gostaria de colocar Chansong. Ou Bebel. Luiza eu postei no Facebook. Acho que vou ficar com...
Passarim
Também não tenho como fugir de Águas de Março. Por uma questão de lealdade sentimental. Adorava as aulas de música da irmã Maria José. Quem daria essas aulas hoje? Coisas boas devem ser elogiadas.
E não posso deixar de colocar Samba do Avião (com direito a Danilo Caymmi) e Ela é Carioca (na versão de Os Cariocas, que adoro). Primeiro porque nunca haverá melhor música para se pensar quando a gente vê o avião prestes a pousar. E porque Ela é Carioca eu cantava às vezes sozinha no passado, distraída, até em bar, pensando que seria legal estar num coral.

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